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sábado, 12 de março de 2011

É a vez das empregadas


Flávia Guedes, a Aspásia de "Araguaia"



Em "Araguaia", da Rede Globo, Aspásia, personagem de Flávia Guedes, se tornou uma das principais personagem da trama do autor Walther Negrão. A fiel empregada de Solano (Murilo Rosa) e Dona Mariquita (Laura Cardoso) é divertidíssima. Sem papas na língua, vive em conflito com a patroa, e abre não pensa duas vezes antes de abrir o berreiro quanto tem à 'sensibilidade' atingida. A questão é que, como ela, as 'secretárias do lar' na ficção estão dando o que falar.

Na mesma novela, Lurdinha, interpretada por Luciana Carinelli, que atende a família de Max (Lima Duarte), também não mede palavras, sempre faz suas observações.

Na teledramaturgia recente o primeiro a dar voz às empregadas foi o autor Manoel Carlos. Adepto do realismo para contar seus enredos, as domésticas, em especial aquelas das casas de suas Helenas, são tratadas como pessoas da família. Todas são verdadeiras amigas das protagonistas e não apenas alguém para passar, lavar ou fazer comida.

A presença delas já se tornou algo tão marcante nas obras do autor que mereceu até uma citação nos primeiros capítulos de "Ti-ti-ti". No auge de mais um de seus desatinos, Jaqueline (Cláudia Raia) cortou no ato a fala de uma empregada, "Cala a boca, porque aqui não é novela de Manoel Carlos".

Claro, tudo não passou de uma homenagem, como as muitas que Maria Adelaide Amaral faz com citações a autores, personagens, músicas, cenográfica e títulos de novelas. Prova disso é que na trama das sete Penha (Yaçana Martins) é empregada e melhor amiga de Rebeca (Christiane Torloni) e Rosário (Rosanna Viegas), que foi impedida de falar por Jaqueline, hoje só não fala o que pensa como se tornou amiga e aliada da patroa. Elas podem tudo.

sexta-feira, 11 de março de 2011

V maiúsculo

Norma, personagem de Glória Pires, em "Insensato Coração" (TVGlobo/Alex Carvalho)


Agora que, ao que parece, Gilberto Braga e Ricardo Linhares decidiram construir sua vilã Norma, vivida por Glória Pires, vale a pena relembrar algumas das melhores malvadas que tomaram conta das novelas. Claro que, com tramas no ar desde "25499 Ocupado", adaptação de Dulce Santucci para o original do argentino Alberto Migré, de 1963, da TV Excelsior, muitas vão ficar de fora.

A começar pela última grande vilã da TV: Clara, personagem de Mariana Ximenes, em "Passione". A loira parecia a filha de Flora (Patrícia Pillar), de "A Favorita", tamanha a ruindade de ações e sentimentos que aproximava das duas. É inegável a comparação. Vale o trocadilho pelo fato de na trama em que Pillar reinou absoluta, Lara, sua filha, ter sido vivida por Ximenes. Flora era o diabo em figura de gente. Cara de anjo, seduziu e enganou todos os personagens até mostrar, já no final, sua verdadeira face, e entrar para a galeria das vilãs antológicas da telinha.

Clara, ainda tinha na família uma boa biscate, que detonou a infância da neta a ponto de influenciar negativamente na formação de seu caráter. Afinal, quem tinha uma avó como Valentina (Daisy Lúcidi) precisa de algum inimigo?

E avós do mal que poderiam ocupar o lugar da cafetina são o que não faltam. Odete Roitman (Beatriz Segall), de "Vale Tudo"? Maria Altiva (Eva Wilma), de "A Indomada"? Ou Bia Falcão (Fernanda Montenegro), de "Belíssima"? Qualquer uma delas teria tido a mesma influência negativa na vida de Clara.

E no papel de mãe de Clara? Quantas além de Flora não cairiam como uma luva? Já imaginaram Nazaré Tedesco (Renata Sorrah), de "Senhora do Destino", educando a vilã de Silvio de Abreu?, Adma (Cássia Kiss), de "Porto dos Milagres"?, Eunice (Elaine Cristina), de "Vende-se um Véu de Noiva?", ou Marta (Lília Cabral), de "Páginas da Vida".

E as irmãs de Clara? Maria de Fátima (Glória Pires), de "Vale Tudo"; Raquel (também papel de Glória Pires), de "Mulheres de Areia", Bárbara (Giovanna Antonelli), de "Da Cor do Pecado", Elza (Vanessa Gerbelli), de "Prova de Amor", Laura (Cláudia Abreu), de "Celebridade", ou Sandrinha, de "Torre de Babel".

Enfim, uma miscelânea dessa rende muito bem uma nova trama. Uma coisa é certa, uma boa vilã tem lugar cativo e sempre se pode esperar algo de novo. Tomara que Norma siga seu destino, e até o fim de "Insensato Coração", conquiste o posto de grande vilã do primeiro semestre. Isso porque em agosto estreia "Fina Estampa", de Aguinaldo Silva, e no papel de antagonista, a sempre chique, Christiane Torloni.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Domingo do bocejo

Zeca Camargo em Xangai (TVGlobo)


No meio do ano passado, no auge do desenrolar do "Fantástico", da Globo, ao vivo, o jornalista Zeca Camargo, que não percebeu que estava no ar, bocejou durante dos telespectadores. Aflita, Patrícia Poeta o cutucou para avisá-lo de que era a sua hora de falar. A emissora não teve o trabalho nem mesmo de cortar a cena, no repeteco do programa na Globonews.

Bocejar não é nada demais, afinal é um ato involuntário. E pode ser atribuído a várias causas: cansaço, fastio, sono e até fome. Mas, a cena do bocejo do apresentador não deixa de ser sintomática em relação a certo clima enfadonho que ronda a atração há um bom tempo. E a visão de Zeca abrindo a boca em plena atividade parece ilustrar a crise de conteúdo e de criatividade que o programa enfrenta.

Em outras palavras, o "Fantástico", tirando ramos momentos, geralmente, os que vão ao ar na primeira parte do jornalístico, provoca mesmo um fastio e sono danados. Nada faz lembrar do tempo em que era um dos programas mais esperados e festejados da TV.

Lançado em 1973, o programa atravessou décadas e décadas como um dos campeões de audiência, só perdendo para outros pesos pesados do canal, como por exemplo, "Jornal Nacional" ou da então novela das oito. Hoje a atração não passa de um arremedo do que já foi. Do ano passado para cá, perdeu o rumo de vez, com quadros que não dizem a que veio, matérias insossas - algumas anunciadas como exclusivas, quando já foram exibidas ou reveladas há tempos por outras emissoras, e participantes sem carisma.

Resumindo, o "Fantástico" tornou-se um programa chato, quase dispensável. Uma coisa é certa, se na época, até mesmo Zeca Camargo, que parece interpretar um personagem, boceja durante a apresentação, imagine só os telespectadores.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Salve Salve Regina Casé

Por: João Paulo Dell’Santo




Regina Casé faz a festa ao lado de Alcione (TVGlobo/Alex Carvalho)


Desde o dia dois de janeiro a Globo vem exibindo o “Esquenta”, nova empreitada da sempre certeira Regina Casé. A atração que mistura traços do Velho Guerreiro, Chacrinha, e do carioquíssimo Jorge Perlingeiro, busca falar a linguagem do povão. E ninguém melhor que a apresentadora para reunir elementos, aparentemente, diferentes com tanta singularidade.
Essa alquimia toda só poderia dar certo. Falar de domingo, carnaval, férias e verão com pitadas de humor é uma receita que sempre surtiu bons resultados. O programa conta com a presença fixa de Arlindo Cruz e Leandro Sapucahy, do Grupo de Dança do Canta Galo e um elenco de apoio, fora as participações especiais que dão um charme a mais. É impossível falar da atração e não citar sua trilha musical. Entre hits nacionalmente conhecidos às músicas dos carnavais que não voltam mais, destaca-se a animada abertura, composta por Gilberto Gil especialmente para o programa.
Regina trouxe novamente o povão para o centro das atenções sem degradar a classe. Pioneira em dar apoio às comunidades Brasil a fora, a global, treze quilos mais magra, passa um ar de total naturalidade. Com o “Esquenta”, Casé fala do povo para o povo, buscando um diferencial que é característica marcante em tudo que faz.
O dominical é um típico almoço na laje, onde se reúne amigos, samba e churrasco. A ideia de passar um ar de confraternização é visível.
Reunindo nomes da música popular brasileira somado a casos do dia a dia e entrevistas, o programa vem cumprindo o prometido e proporcionando diversão em pleno início de tarde, num horário onde os concorrentes apelam até dizer chega.
Mais um acerto no vasto currículo da apresentadora, que, aliás, soma grandes trabalhos ao longo de sua carreira. A eterna rainha da periferia nos faz sentir em casa e nos presenteia com seu bom humor e competência.
O programa que ocupará o horário do almoço durante os meses de janeiro e março tornou-se um problema positivo para a Globo. Não tornar a atração fixa é um retrocesso por parte da emissora, visto a frágil demanda de novidades nos últimos anos. O “Esquenta” não pode ser considerado apenas um projeto de verão, é algo que veio para ficar com toda a certeza. Ganha a emissora e ganha os telespectadores.
"Bateria arrebenta, todo mundo comenta, que feito pimenta o programa domingo esquenta...”. Salve Salve Regina Casé.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dupla do barulho

(TV Globo/João Miguel Junior)


Em "Insensato Coração", da Rede Globo, algumas boas interpretações já tomaram conta da novela. É o caso de Deborah Secco, que interpreta Natalie Lamour, a ex-participante de um reality show que quer a todo custo voltar a ter seus quinze minutos de fama. Para tanto, Natalie não mede esforços e embarca em todas as armações possíveis para voltar ao estrelato. Segundo a personagem, ela só não faz filme pornô e nem sai com homens casados. No mais, vale tudo. E conta com um parceiro que está sempre ao seu lado. Roni, vivido por Leonardo Miggiorin. Um gay afetado e, até o momento, divertido.

Natalie e seu fiel escudeiro passam boa parte da trama, dos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares, pensando em um plano mirabolante para a ex-participante do fictício 'Volúpia na Montanha' voltar aos holofotes.

Lamour é uma mulher do bem, batalhado, esperta, e atualmente, está se desdobrando para não ser esquecida pela mídia nem pelos seus fãs, que ficam cada vez mais escassos na medida em que o tempo passa. Mas isso será por pouco tempo, nos próximos capítulos do folhetim, Natalia vai se casar com o banqueiro Horácio Cortez (Herson Capri). Resta saber, se ela levará na bagagem a 'bee'.

O fato é que a parceira entre Deborah Secco e Leonardo Miggiorin deu certo e rende bons momentos na novela. Eles fazem parte de um núcleo no qual o humor é a tônica e, juntas, estão sempre preparados para oferecer muito mais ao telespectador.